Como investigar golpes no Pix, contas laranja e chargebacks com agentes de IA
Guia prático para heads de fraude e PLD: agentes de IA para investigar golpes no Pix, contas laranja, casos de MED 2.0, indícios compartilhados e chargebacks.
Golpe do falso parente no WhatsApp, falsa central de atendimento, falso emprego: o roteiro muda, mas o dinheiro faz o mesmo caminho. Cai numa conta laranja, é pulverizado em segundos por outras contas e some. Seu time de fraude vive correndo atrás desse caminho com regras que geram mais alertas do que dá para analisar, notificações de MED com prazo curto e chargebacks que vencem antes de alguém montar a defesa. A análise de cada caso já pode ser feita por um agente de IA, e cada caso a mais praticamente não custa nada. A decisão de bloquear, devolver ou encerrar continua com seu time.
Este é um guia prático para heads de fraude e PLD no Brasil: quais investigações passar primeiro para um agente, como ligar seus sinais de dispositivo, a base de indícios compartilhados e o histórico das contas, e como saber se você está pegando mais golpe com menos atrito para o cliente bom.
O que faz. O agente pega cada alerta, notificação ou disputa, junta tudo o que seus sistemas sabem sobre aquela conta e aquele dinheiro, e entrega um parecer com recomendação e evidências.
O que não é. Um modelo de score que substitui suas regras, nem um robô que bloqueia conta sozinho. Suas regras e seu motor antifraude continuam decidindo o que vira alerta; o agente faz a investigação que hoje fica parada esperando um analista.
Onde o tempo do seu time de fraude vai embora
| Processo | O que uma pessoa faz hoje | O que o agente faz | O que uma pessoa decide |
|---|---|---|---|
| Alertas de conta laranja | Abre extrato, cadastro e dispositivo em telas diferentes | Reconstrói entradas e saídas, compara com o perfil e checa dispositivo e indícios compartilhados | Bloquear, pedir documentos ou encerrar |
| Notificações de MED | Analisa a conta do cliente recebedor contra o prazo | Rastreia para onde o dinheiro seguiu, junta histórico e redige o parecer | Bloquear e devolver |
| Golpes contra seus clientes | Lê o relato, busca as transações e tenta recuperar | Monta o caso com a linha do tempo e identifica as contas de destino | Abrir o MED e o que dizer ao cliente |
| Chargebacks de cartão | Junta pedido, entrega, conversa e sinais, e escreve a defesa | Monta o dossiê e sugere contestar ou aceitar | Contestar ou aceitar |
| Revisão de regras | Olha falsos positivos na planilha uma vez por mês | Analisa os alertas fechados e sugere ajustes com exemplos | Mudar a regra |
Comece pelos alertas de conta laranja. O volume é alto, a investigação é repetitiva e cada conta encerrada cedo evita várias vítimas depois.
Como um agente de fraude investiga
- O alerta chega. Do seu motor de regras, de uma notificação de MED, de um relato de cliente ou de uma disputa da bandeira.
- O agente junta o contexto. Cadastro, extrato, dispositivo, IP, chaves Pix, histórico de contestações e a base de indícios compartilhados.
- O agente segue o dinheiro. De onde veio, para onde foi, em quanto tempo e se o padrão parece com casos que seu time já confirmou.
- O agente escreve o parecer. Recomendação, evidências e o que ele não conseguiu verificar.
- Um analista decide. No Slack ou no dashboard. Toda decisão e a justificativa ficam registradas.
As ferramentas
| Para quê | O que você já usa |
|---|---|
| Antifraude e regras | Seu motor de regras, ClearSale, Sift |
| Dispositivo e identidade | Incognia, unico, idwall, o SDK do seu app |
| Contas e transações | Seu core, extratos de Pix, DICT |
| Indícios compartilhados | O sistema de compartilhamento previsto na Resolução Conjunta nº 6/2023 |
| Cartões | Cielo, Stone, Rede, Getnet, portais de disputa das bandeiras |
| Casos e aprovações | Jira, Slack |
| Infraestrutura para agentes | Runtime |
Com agentes de código como o Claude Code, conectar uma fonte nova é só pedir: o agente escreve a integração, testa e salva. Você não precisa esperar o fornecedor lançar um conector.
O Runtime é o sistema operacional para agentes de IA. Cada agente roda no seu próprio computador isolado, com suas próprias credenciais, e espera aprovação antes de movimentar dinheiro ou bloquear uma conta. CPF, contas e cartões são mascarados antes de chegar ao modelo. Seu time pede a investigação em português; o Runtime cuida dos controles.
Passo 1: escreva como seu melhor analista investiga
Este passo é do seu time. Escolha um tipo de alerta e escreva o roteiro do seu melhor analista: o que olha primeiro, quais sinais pesam mais, o que separa uma conta laranja de um pequeno comerciante que recebe muitos Pix, e quando escala.
- Explique o porquê. "Compare o horário das entradas e saídas, porque conta laranja costuma repassar o dinheiro em minutos" funciona melhor que "olhe o horário".
- Diga qual erro ele não pode cometer. "Nunca recomende encerrar a conta de quem recebe salário ou aposentadoria só pelo volume de Pix" evita prejudicar o cliente bom.
Passo 2: conecte os sinais em modo leitura
Dê ao agente acesso de leitura ao core, ao motor antifraude, aos sinais de dispositivo e à base de indícios compartilhados. As credenciais entram pelo dashboard do Runtime, nunca coladas num chat.
Investigue esta conta: recebeu 14 Pix de pessoas diferentes em duas horas e transferiu quase tudo para três chaves. Compare com a renda e a profissão declaradas, veja se o dispositivo aparece em outras contas nossas, consulte a base de indícios compartilhados e me diga se parece conta laranja. Mostre as evidências e não bloqueie nada.
Passo 3: use o agente no MED 2.0
A Resolução BCB nº 493 criou a recuperação de valores com rastreamento: o dinheiro de um golpe pode ser seguido por várias contas em sequência, com bloqueios múltiplos e devoluções parciais. O uso é obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026. Para o seu time, isso significa mais notificações por golpe e menos tempo para cada uma.
O agente pode rodar a cada notificação que chega: analisa a conta do seu cliente, mostra para onde o dinheiro seguiu e deixa o parecer pronto para o analista decidir o bloqueio dentro do prazo. Quando a vítima é seu cliente, ele monta o caso para abrir a contestação.
Passo 4: rode em paralelo por duas semanas
Em fraude, vale rodar um pouco mais. Durante duas semanas, o agente analisa os mesmos alertas que seu time, sem tocar em nada. Compare as recomendações com as decisões dos analistas, olhe com atenção onde ele foi mais duro ou mais brando, e transforme cada diferença em instrução.
Passo 5: inclua chargebacks e revisão de regras
Com os alertas rodando, siga para os chargebacks, que aproveitam boa parte das mesmas fontes. Depois, use o agente para revisar os alertas fechados do mês e sugerir ajustes nas regras, com exemplos de falso positivo e de golpe que passou.
O que fica com seu time
| O quê | Por quê |
|---|---|
| Bloquear, devolver e encerrar contas | Afeta o cliente e responde perante o Banco Central |
| Definir e mudar regras | É o seu apetite de risco |
| Registrar indícios na base compartilhada | Afeta o cliente em outras instituições |
| Decidir comunicações ao COAF | É responsabilidade do diretor de PLD/FT |
| Falar com vítimas de golpe | Pede cuidado de uma pessoa |
O que aprendemos
- Comece por um tipo de alerta. O roteiro de conta laranja não serve para chargeback, e tudo bem.
- Peça o que ele não conseguiu verificar. Um parecer que diz "não tive acesso ao dispositivo" vale mais que um que parece completo.
- Guarde os casos confirmados. Eles viram exemplos para o agente e conjunto de teste para cada mudança de instrução.
- Meça o atrito, não só a fraude. Bloquear demais também custa caro: cliente bom que vai embora e reclamação no Reclame Aqui.
O que o compliance vai pedir
- Que o agente não bloqueia nem devolve sozinho. Toda ação espera a aprovação de um analista.
- Que os dados de terceiros estão protegidos. A Resolução Conjunta nº 6/2023 exige consentimento do cliente para o registro e respeito ao sigilo e à LGPD. O Runtime mascara dados sensíveis antes do modelo e nunca treina com seus dados.
- Por que cada conta foi bloqueada. Cada execução guarda o que o agente consultou e recomendou, e pode ser exportada.
- Quem responde pelo agente. Um inventário com responsável e permissões por agente.
Para o lado de PLD/FT e COAF, veja o guia de agentes de IA para compliance.
Como medir resultado
| Indicador | O que mostra |
|---|---|
| Tempo do alerta até a decisão | Quanto tempo o golpista tem para sacar |
| Alertas analisados por analista por dia | Quanta capacidade você liberou |
| Recomendações aceitas sem alteração | Quão bem o agente investiga |
| Notificações de MED analisadas dentro do prazo | Seu risco regulatório |
| Taxa de chargebacks revertidos | Quanto dinheiro você recupera |
| Contas boas bloqueadas por engano | O atrito que você causa |
Um cronograma realista
| Etapa | Tempo |
|---|---|
| Infraestrutura para agentes | Minutos com o Runtime; semanas se você construir do zero |
| Roteiro do primeiro alerta e conexões | 1 semana |
| Rodada em paralelo | 2 semanas |
| Alertas de conta laranja com aprovações | Semana 4 |
| MED, chargebacks e revisão de regras | Mês 2 |
A Rain, emissora de cartões presente em mais de 150 países, usa o Runtime para suporte técnico, monitoramento de fraude e risco, compliance, cibersegurança, investigações de engenharia, revisão de PRs, QA e relatórios, e economizou $750k com fornecedores e folha.
Em resumo
O golpista move o dinheiro em minutos; seu time não deveria levar dias para investigar. Deixe o agente seguir o dinheiro e montar o caso, e seus analistas com a decisão. Comece pelas contas laranja e cresça a partir daí. Para mais detalhes, veja nosso guia de investigação de fraude e risco.
Mãos à obra.
Perguntas frequentes
Como a IA ajuda a identificar contas laranja?
Um agente pode revisar cada conta sinalizada pelas suas regras: de onde veio o dinheiro, para onde foi e em quanto tempo, se o perfil declarado combina com o movimento, se o dispositivo já apareceu em outras contas e se há indícios registrados por outras instituições. Ele entrega um parecer com as evidências, e o analista decide se bloqueia ou encerra a conta.
O que mudou com o MED 2.0?
O MED 2.0, criado pela Resolução BCB nº 493 de 2025 e obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026, permite rastrear o dinheiro de um golpe por várias contas em sequência, e não só na primeira conta que recebeu. Na prática, chegam mais notificações por caso, com prazos curtos, e cada uma pede uma análise da conta do seu cliente.
Um agente de IA pode bloquear uma conta ou devolver um Pix?
Pode preparar tudo, mas não deve executar sozinho. Com o Runtime, o agente trabalha com acesso só de leitura e qualquer bloqueio, devolução ou encerramento espera a aprovação de um analista de fraude no Slack ou no dashboard.
O agente pode consultar a base de indícios de fraude compartilhada entre instituições?
Pode, se você der esse acesso. A Resolução Conjunta nº 6/2023 obriga instituições financeiras e de pagamento a registrar e consultar indícios de fraude por um sistema eletrônico. O agente consulta essa base como parte da investigação e cita o que encontrou no parecer.
Serve também para chargeback de cartão?
Serve. O agente junta comprovante de entrega, histórico do pedido, conversas com o cliente e sinais do dispositivo, e monta o dossiê de defesa antes do prazo da bandeira. Seu time decide se contesta ou aceita.
O que é o Runtime?
O Runtime é o sistema operacional para agentes de IA em times de pagamentos e fintech. Cada agente roda em um computador isolado, com acessos restritos, aprovação antes de movimentar dinheiro, mascaramento de dados sensíveis e registro de cada execução. Pode rodar na sua própria nuvem, inclusive em São Paulo.
Coloque um agente para investigar contas laranja
Traga um tipo de alerta. Um engenheiro de IA do Runtime configura o agente, as integrações e as aprovações junto com seu time de fraude.