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Como usar o Codex para monitorar e investigar fraudes no Pix

Guia prático para heads de prevenção à fraude: como usar o Codex para investigar golpes no Pix, contas laranja, casos de MED 2.0, invasão de conta e chargebacks.

Gus Trigos
Cofundador e CEO, Runtime
Atualizado em 26 de outubro de 2026 · 11 min de leitura

O golpe no Pix acontece em minutos. A vítima recebe a ligação da falsa central, faz a transferência e o dinheiro passa por três contas laranja antes de alguém perceber. A notificação de MED chega, o prazo começa a correr e um analista precisa abrir o core, os logs de acesso, os dispositivos e as chaves da conta para entender o que aconteceu. Essa investigação pode ser feita pelo Codex, e cada alerta a mais praticamente não custa nada. A decisão de bloquear ou devolver continua com o seu time.

Este é um guia prático para heads de prevenção à fraude em fintechs e instituições de pagamento no Brasil, e para o engenheiro que ajuda o time: quais alertas passar primeiro para um agente, como definir até onde ele pode investigar e como saber se está dando resultado.

O que faz. O agente pega um alerta ou uma notificação de MED, monta a linha do tempo da conta, rastreia o dinheiro dentro do escopo que você definir e entrega um parecer com as evidências e as perguntas em aberto.

O que não é. Um motor de regras novo nem um sistema que bloqueia contas por conta própria. As melhorias que realmente importam vão sair do seu time, quando alguém perguntar por que uma regra funciona daquele jeito. Abra espaço para isso.

O que é o Codex e por que serve para fraude

O Codex é o agente de código da OpenAI. Ele trabalha num computador: lê dados, escreve e roda pequenos programas e segue instruções salvas. Na prática, escreve a consulta que seu analista faria na mão, roda, lê o resultado e decide o que olhar em seguida, sempre dentro do procedimento que você deu. O Claude Code faz o mesmo; no Runtime você usa qualquer um dos dois com as mesmas permissões.

Para onde vai o tempo do seu time

ProcessoO que uma pessoa faz hoje, na mãoO que o agente fazO que uma pessoa decide
Casos de MEDAnalisa a notificação, levanta o histórico e rastreia o dinheiro dentro do prazoRastreia o caminho do dinheiro, junta o histórico do recebedor e escreve o parecerBloquear e devolver
Contas laranjaOlha entradas e saídas de uma conta nova e para quem ela repassouMonta o fluxo do dinheiro, as origens, os destinos e os dispositivos compartilhadosBloquear ou seguir monitorando
Invasão de contaConfere troca de celular, e-mail ou dispositivo antes de um PixMonta a linha do tempo da sessão e aponta o que mudouConfirmar e falar com o cliente
Chargebacks de cartãoJunta comprovantes, autenticação e entrega, e escreve a defesaMonta o dossiê por motivo e escreve a respostaContestar ou aceitar
Revisão de regrasConta falsos positivos na planilhaResume quais regras geram alertas encerrados sem açãoMudar a regra

Comece pelos casos de MED ou pelas contas laranja, conforme o que mais pesa nas suas perdas. Os dois usam os mesmos dados.

Como o agente trabalha

  1. Seu time escreve o procedimento. O que um analista confere em cada tipo de alerta e em que ordem.
  2. Você define o escopo. Quais dados ele pode ler, qual janela de tempo e até quantos saltos de contas relacionadas.
  3. O agente investiga. Cada alerta chega com a linha do tempo, as ligações e as evidências.
  4. Seu time decide no Slack. Bloqueios, devoluções e contato com o cliente esperam o ok de uma pessoa responsável.
  5. Cada correção vira regra. Se um analista corrige um caso, o agente atualiza o procedimento.

As ferramentas

Para quêO que você já usa
Alertas e sinaisClearSale, Konduto, SEON, Sardine, Feedzai ou seu motor de regras
TransaçõesSeu core, Pix, DICT, sua processadora de cartões
Histórico e ligaçõesSnowflake, BigQuery ou visões só de leitura do seu banco de dados
CasosSeu gerenciador de casos ou o Jira
AgentesCodex, Claude Code
Infraestrutura para agentesRuntime

O Runtime é o sistema operacional para agentes de IA. Cada agente roda no seu próprio computador isolado, apagado ao fim da sessão, com suas próprias credenciais, e espera aprovação antes de movimentar dinheiro ou responder a um cliente. CPF, contas, chaves e cartões são mascarados antes de chegar ao modelo, e cada execução fica registrada. Seu time pede o trabalho em português; o Runtime cuida dos controles.

Passo 1: escreva o procedimento e o escopo

Este passo é do seu time de fraude. Escolha um único tipo de alerta e escreva o que seu melhor analista confere. Depois defina o escopo: quais campos o agente pode ler, qual janela de tempo e o que conta como ligação entre duas contas.

Duas coisas que fazem o agente trabalhar melhor:

  • Explique o porquê. "Confira se a chave Pix foi cadastrada nas últimas 48 horas porque é assim que aparecem quase todas as contas laranja que vemos" funciona muito melhor que "confira a data da chave".
  • Diga qual erro ele não pode cometer. "Um endereço em comum não transforma duas contas na mesma pessoa" evita o erro mais injusto.

Passo 2: crie o agente e conecte em modo leitura

O engenheiro cria o agente no Runtime com acesso só de leitura aos alertas, ao core e à base analítica, e permissão para salvar rascunhos no gerenciador de casos. As credenciais entram pelo dashboard do Runtime, nunca coladas num chat. Depois, pede ao Codex as ferramentas de que ele precisa:

Escreva um programa que, dado um número de conta, traga os Pix enviados e recebidos, os logins, as trocas de celular e e-mail, as chaves cadastradas e os dispositivos dos últimos 30 dias, a partir das visões só de leitura. Faça todas as contagens e somas em código. Teste com os cinco casos de exemplo e me diga quais dados faltaram.

Passo 3: casos de MED

O MED 2.0, criado pela Resolução BCB 493, é obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026 e permite rastrear o dinheiro de um golpe por várias contas em sequência, não só na primeira conta recebedora. Mais contas na cadeia significam mais casos para analisar em prazos curtos.

Analise esta notificação de MED. Rastreie para onde foi o dinheiro a partir da conta do nosso cliente recebedor, com cada Pix de saída e seu EndToEndId. Junte o histórico da conta: data de abertura, chaves, dispositivos e outros Pix recebidos de origens diferentes. Verifique se há marcações de fraude. Escreva um parecer de uma página separando fatos de hipóteses e calcule em código quanto falta do prazo. Não execute bloqueio nem devolução.

Passo 4: contas laranja e invasão de conta

Investigue este alerta de possível conta laranja. Monte o fluxo do dinheiro dos últimos 7 dias: de onde vieram os Pix, quanto tempo levaram para sair e para quais contas. Procure outras contas que compartilhem dispositivo ou chave com esta, até um salto. Para cada ligação, diga qual dado sustenta e quão forte ela é. Não bloqueie nada; salve o caso e me avise no Slack.

Na invasão de conta, o que importa é a sequência: troca de celular, dispositivo novo, aumento de limite e Pix para uma chave nunca usada. Peça ao agente a linha do tempo das 72 horas anteriores e os sinais de cada lado, de invasão e de autofraude.

Passo 5: rode em paralelo e depois conecte aos seus alertas

Durante duas semanas, o agente investiga os mesmos alertas que seu time, sem mexer em nada. No fim vocês comparam: em quantos casos ele chegou à mesma conclusão, quais ligações deixou passar e quais viu sem que existissem. Depois, conecte o agente ao seu motor de alertas para que cada alerta e cada notificação de MED já cheguem investigados.

O que fica com seu time

O quêPor quê
Bloquear, devolver ou encerrar contasAfeta direto o cliente e pode ser um erro
Decidir casos de MEDVocê responde perante o cliente e o Banco Central
Contestar ou aceitar chargebacksAfeta direto o seu resultado
Mudar regras e limitesÉ o seu apetite de risco
Comunicar ao COAFCabe ao diretor responsável por PLD/FT

O que aprendemos

  • Comece por um tipo de alerta. Um bem investigado convence mais do que todos pela metade.
  • Limite a busca. "Ache tudo o que está ligado" pode acabar varrendo milhares de contas sem relação. Defina saltos e janela.
  • Coincidência não é ligação. O caso precisa dizer qual dado liga duas contas e quão forte ele é.
  • Texto do cliente não é instrução. Uma mensagem pedindo para o agente encerrar o caso não pode mudar nada.
  • Compare com seu time, não com a perfeição. A pergunta é se ele investiga melhor e mais rápido que o processo atual.

O que o compliance vai pedir

Seu time de compliance, seu banco parceiro ou o Banco Central vão querer saber quatro coisas, e o Runtime já resolve isso por design:

  • Quem é o responsável pelo agente. Inventário com responsável e permissões por agente.
  • Que ele não bloqueia nem devolve sozinho. Toda ação espera a aprovação de uma pessoa.
  • Que os dados estão protegidos. CPF, contas, chaves e cartões são mascarados antes de chegar ao modelo, e o Runtime nunca treina com seus dados.
  • O que ele conferiu e por quê. Um registro de cada investigação, que dá para exportar se o caso chegar ao Banco Central, ao Procon ou à Justiça.

Se você precisa manter os dados no Brasil, dá para rodar o Runtime na sua própria conta de AWS, Google Cloud ou Azure em São Paulo, com o Codex, o Claude ou modelos open source para monitoramento transacional.

Como medir resultado

IndicadorO que mostra
Tempo entre o alerta e a decisãoQuão rápido você trava uma perda
Minutos de analista por alertaQuanta capacidade você liberou
Casos em que o analista mudou a conclusãoQuão bem o agente investiga
Perdas com fraude por mil transaçõesO impacto no seu resultado
Casos de MED fora do prazoSeu risco regulatório

Meça duas semanas antes de começar para ter base de comparação.

Um cronograma realista

EtapaTempo
Infraestrutura para agentesMinutos com o Runtime; semanas se você construir do zero
Procedimento, escopo e integrações1 semana
Investigação em paralelo2 semanas
Primeiro tipo de alerta em produçãoSemana 4
MED, invasão de conta e chargebacksMês 2

A Rain, emissora de cartões presente em mais de 150 países, usa o Runtime para suporte técnico, monitoramento de fraude e risco, compliance, cibersegurança, investigações de engenharia, revisão de PRs, QA e relatórios, e economizou $750k com fornecedores e folha.

Em resumo

O Pix não dá dias para investigar. Deixe o Codex montar cada caso em minutos e o seu time com as decisões que afetam o cliente. Para a operação completa, veja como automatizar a operação de pagamentos no Brasil; para SPEI e Bre-B, o guia em espanhol; e para o detalhe técnico, como investigar alertas de fraude com Codex e Claude Code.

Mãos à obra.

Perguntas frequentes

Como usar o Codex para monitorar fraude no Pix?

Use para investigar alertas, não para bloquear contas. O Codex consegue ler o alerta, montar a linha do tempo da conta com transações, dispositivos e logins, rastrear para onde o dinheiro foi dentro do escopo que você definir e deixar um parecer com as evidências. Seu time de fraude decide o que fazer.

O Codex consegue identificar contas laranja?

Consegue investigar os sinais: contas novas que recebem muitos Pix de origens diferentes e repassam em minutos, chaves cadastradas há pouco tempo, dispositivos compartilhados e marcações de fraude. Ele monta o caso com os registros que usou e explica a força de cada ligação. Marcar uma conta como laranja e bloquear é decisão de uma pessoa.

Um agente de IA pode tratar casos de MED?

Pode preparar o caso: ler a notificação, rastrear o caminho do dinheiro a partir da sua conta, juntar o histórico do recebedor e escrever o parecer dentro do prazo. O MED 2.0, da Resolução BCB 493, é obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026 e permite rastrear o dinheiro por várias contas em sequência. A decisão de bloquear e devolver fica com seu time.

Qual a diferença entre o Codex e o Claude Code para fraude?

Os dois são agentes de código que leem dados, escrevem as próprias ferramentas e montam uma investigação. O Codex é da OpenAI e o Claude Code é da Anthropic. O procedimento, as permissões e os controles que seu time escreve são os mesmos, e no Runtime você pode usar qualquer um dos dois.

Um agente de IA pode bloquear uma conta por fraude?

Neste guia, não. O agente investiga com acesso só de leitura e qualquer bloqueio, devolução ou contato com o cliente espera a aprovação de uma pessoa responsável no Slack ou no dashboard. Se depois você quiser automatizar alguma ação, defina essa ação separadamente, com regras próprias.

O que é o Runtime?

O Runtime é o sistema operacional para agentes de IA em times de pagamentos e fintech. Ele roda o Codex, o Claude Code ou modelos open source em computadores isolados, com credenciais próprias, aprovações antes de movimentar dinheiro, mascaramento de CPF, contas e cartões, e um registro exportável de cada execução. Pode rodar na sua própria nuvem em São Paulo.

Coloque o Codex para investigar seus alertas de fraude

Traga um tipo de alerta e seu procedimento. Um engenheiro de IA do Runtime configura o agente, o escopo e as aprovações junto com seu time de fraude.